Economia
Prata mais forte que o ouro: preço do metal branco tem vindo a subir de recorde em recorde
Os preços da prata subiram ainda mais rapidamente do que os do ouro, mais de 150% em 2025, impulsionados por uma forte procura de investimento, pelo facto de constar da lista de metais críticos dos EUA e por uma onda de aquisições.
O ouro, porto seguro por excelência. O preço foi apoiado pelas compras dos bancos centrais, pela flexibilização da política monetária da Reserva Federal dos EUA, mas também pela fraqueza do dólar. A procura de ativos de refúgio, alimentada por tensões geopolíticas e fricções comerciais, também contribuiu para a subida dos preços.
Mas ainda mais espetacular do que o ouro é a prata, que tem vindo a subir de recorde em recorde no último ano, ultrapassando níveis que até há pouco tempo pareciam inimagináveis. O metal branco está a aproximar-se dos 75 dólares por onça (31,1 gramas).
Prata joga em dois tabuleiros, ao contrário do ouro
Os preços da prata subiram ainda mais rapidamente do que os do ouro, mais de 150% em 2025, impulsionados por uma forte procura de investimento, pelo facto de constar da lista de metais críticos dos EUA e por uma onda de aquisições.
A prata joga em dois tabuleiros. Tal como o ouro, protege contra a incerteza, mas, ao contrário do ouro, é maciçamente consumida pela indústria. Atualmente, quase 60% da procura global de prata é industrial, impulsionada pela energia fotovoltaica, eletrificação, eletrónica, veículos elétricos e chips para inteligência artificial.
De acordo com o Silver Institute, a procura industrial deverá atingir níveis recorde este ano, graças, nomeadamente, ao desenvolvimento maciço da energia solar. Um painel fotovoltaico utiliza, em média, entre 10 e 20 gramas de prata.Procura crescente, mas oferta no mercado não acompanha o ritmo
É simples: o mercado mundial da prata está em défice há cinco anos consecutivos, com mais prata a ser consumida do que produzida. E este défice não é conjuntural: são necessários dez a quinze anos para abrir uma nova mina, num contexto regulamentar e ambiental cada vez mais restritivo.
A produção mineira é de cerca de 26 mil toneladas por ano, um ligeiro aumento, mas ainda insuficiente. Tanto mais que o metal precioso é um recurso especial: 70% da produção mundial provém de minas ditas "secundárias", onde é apenas um subproduto do cobre, do zinco ou do chumbo. A oferta de prata está, portanto, muito dependente da rendibilidade e dos ciclos destes outros metais, o que limita a sua capacidade de se adaptar rapidamente à procura.
Geograficamente, a produção está altamente concentrada. Só o México fornece quase um quarto da prata mundial, à frente da China, do Peru, da Bolívia e do Chile.
Por último, a reciclagem está a progredir, com cerca de cinco mil toneladas por ano, mas não é suficiente para colmatar o fosso entre a oferta e a procura.
Boom do dinheiro ainda não acabou
A prata física atrai não só os investidores oportunistas, mas também aqueles que procuram diversificação. Eis algumas das vantagens são numerosas: é mais acessível do que o ouro, tem potencial de valorização em períodos de tensão, é fácil de revender, está disponível em moedas e lingotes e é igualmente cotada em todo o mundo.
Por isso, tem interesse para os investidores que não estão a substituir o ouro, mas a complementar as suas carteiras.
A prata surgiu então como uma alternativa mais acessível, oferecendo ao mesmo tempo uma exposição a utilizações industriais estratégicas. É precisamente esta diferença que a distingue do ouro atual. O ouro continua a ser sobretudo um ativo de reserva e de proteção. A prata, por outro lado, combina uma função patrimonial com um papel central na infraestrutura de descarbonização e digitalização da economia global.
Os analistas estimam que esta tendência geral de subida se mantenha: a onça de ouro poderá atingir os 5000 dólares nos próximos seis a doze meses, enquanto a prata poderá chegar aos 80 dólares.
O metal, até agora tratado como uma mercadoria "vulgar", foi oficialmente elevado à categoria de material estratégico. A China compreendeu isso, como sublinha o jornal belga L'Écho: desde o dia 1 de janeiro, Pequim, que é um dos maiores produtores mundiais de prata e possui também uma das maiores reservas, restringiu as suas exportações de prata.
A prata física atrai não só os investidores oportunistas, mas também aqueles que procuram diversificação. Eis algumas das vantagens são numerosas: é mais acessível do que o ouro, tem potencial de valorização em períodos de tensão, é fácil de revender, está disponível em moedas e lingotes e é igualmente cotada em todo o mundo.
Por isso, tem interesse para os investidores que não estão a substituir o ouro, mas a complementar as suas carteiras.
A prata surgiu então como uma alternativa mais acessível, oferecendo ao mesmo tempo uma exposição a utilizações industriais estratégicas. É precisamente esta diferença que a distingue do ouro atual. O ouro continua a ser sobretudo um ativo de reserva e de proteção. A prata, por outro lado, combina uma função patrimonial com um papel central na infraestrutura de descarbonização e digitalização da economia global.
Os analistas estimam que esta tendência geral de subida se mantenha: a onça de ouro poderá atingir os 5000 dólares nos próximos seis a doze meses, enquanto a prata poderá chegar aos 80 dólares.
O metal, até agora tratado como uma mercadoria "vulgar", foi oficialmente elevado à categoria de material estratégico. A China compreendeu isso, como sublinha o jornal belga L'Écho: desde o dia 1 de janeiro, Pequim, que é um dos maiores produtores mundiais de prata e possui também uma das maiores reservas, restringiu as suas exportações de prata.
Diane Burghelle-Vernet / 8 janeiro 2026 09:45 GMT
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP